Do centro da terra ao limite do espaço: entre o holocausto nuclear e o transcendente

Essay series, Público Newspaper (in Portuguese) 

Na última parte desta viagem, passámos pelos estados do Novo México e Texas. Onde a história militar e a exploração de combustíveis fósseis se cruzam com práticas artísticas.

Este é o lugar onde se iniciaram os projectos de exploração espacial durante a Guerra Fria, que tiveram origem nos horrores da Segunda Guerra Mundial. Perante uma sequência de holocaustos, de múltiplas extinções, surge o desejo de colonizar outros planetas. De escapar de uma Terra cada vez mais ameaçada e inabitável.

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 White Sands National Monument, New Mexico. Photo: Tiago Silva Nunes 

White Sands National Monument, New Mexico. Photo: Tiago Silva Nunes 

 15 untitled works in concrete, Donald Judd, Marfa, Texas. Photo: Tiago Silva Nunes

15 untitled works in concrete, Donald Judd, Marfa, Texas. Photo: Tiago Silva Nunes


Pueblos, conquistadores e gringos: a velha Europa no Novo México

Essay series, Público Newspaper (in Portuguese) 

 

 Nesta parte da nossa viagem passámos pelo Novo México, um lugar fundamental para a realização do Destino Manifesto. Em 1848, a Cessão Mexicana entregou os territórios da Alta California e Nuevo Mexico aos Estados Unidos, que assim completaram a ocupação desde Este a Oeste da América do Norte.

É um estado marcado pelo colonialismo, pela aculturação dos nativos, pela conquista espanhola e pela ocupação americana. Vamos ver como o Novo México, criado em 1912, construiu a sua identidade cultural com réplicas de elementos de todas estas culturas.

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 San Esteban del Rey, Acoma Pueblo, New Mexico. Photo: Tiago Silva Nunes

San Esteban del Rey, Acoma Pueblo, New Mexico. Photo: Tiago Silva Nunes

 Blue Blood (1988), James Turrell, Santa fe, New Mexico. Photo: Tiago Silva Nunes

Blue Blood (1988), James Turrell, Santa fe, New Mexico. Photo: Tiago Silva Nunes


Observatórios do Invisível: Peregrinação pelo Sublime Americano

Essay series, Público Newspaper (in Portuguese) 

Na terceira parte desta viagem passámos pelo Arizona, um dos lugares mais simbólicos na representação da paisagem natural e construída do Oeste americano.

Visitámos Taliesin West de Frank Lloyd Wright, um espaço icónico da arquitectura do deserto e do modernismo americano. Seguimos o trabalho de dois dos seus discípulos — Paolo Soleri e Nicholas Ray — e o modo como influenciaram a construção física e imaginária dessas paisagens. 

Passámos pelas paisagens monumentais do Arizona, muitas vezes cenário de filmes que consagraram os céus e as mesas vermelhas de Sedona, do Monument Valley e do Grand Canyon, o lugar do sublime americano. Também visitámos obras de arte de James Turrell e Walter de Maria, que exploram a percepção e a experiência da paisagem.

O fio que une estes lugares é a ideia de peregrinação. Todos eles são “sagrados”, uns são iluminados por uma figura carismática que atrai inúmeros acólitos, outros são lugares únicos onde se sente a imensidão do tempo geológico e cósmico. 

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 Taliesin West, Frank Lloyd Wright. Scottsdale, Arizona. Photo: Tiago Silva Nunes 

Taliesin West, Frank Lloyd Wright. Scottsdale, Arizona. Photo: Tiago Silva Nunes 

 Arcosanti, Paolo Soleri. Arizona. Photo: Tiago Silva Nunes

Arcosanti, Paolo Soleri. Arizona. Photo: Tiago Silva Nunes


Paraísos Artificiais: Oásis na Califórnia Deserta

Essay series, Público Newspaper (in Portuguese) 

Nesta segunda parte da nossa viagem pelos desertos Mojave e Sonora fomos encontrando várias povoações que se desenvolveram por causa da água, tanto pela abundância como pela escassez. Muitas das nascentes que visitámos eram usadas pelos povos nativos do continente americano como locais sagrados e de subsistência. Foram estes mesmos pontos de água que permitiram a ocupação do Oeste pelos pioneiros. O Destino Manifesto foi assim posto em prática por milhares de pessoas, atraídas pela possibilidade de lucrar com as promessas da Califórnia Dourada: ouro, agricultura e petróleo. Esta migração só se tornou possível com a ligação transcontinental dos caminhos-de-ferro, em que os oásis tiveram um papel fundamental. Vamos ver como a água foi determinante para criar a imagem do éden da Califórnia e para estabelecer um grande oásis artificial à escala metropolitana, Los Angeles.

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 Zabriskie Point, Death Valley, California. Photo: Tiago Silva Nunes

Zabriskie Point, Death Valley, California. Photo: Tiago Silva Nunes

 Venice Beach skatepark, Los Angeles, California. Photo: Tiago Silva Nunes

Venice Beach skatepark, Los Angeles, California. Photo: Tiago Silva Nunes


Earthworks e obras de arte: criação e destruição da paisagem americana

Essay series, Público Newspaper (in Portuguese) 

Uma viagem pelas obras de arte que deram visibilidade à exploração industrial e militar dos desertos do Utah e Nevada. Obras que mostraram como a paisagem é formada por processos de construção e destruição.

Este é o diário de uma viagem de quatro semanas pelo Sudoeste Americano. Passámos por seis estados—Utah, Nevada, Califórnia, Arizona, Novo México e Texas—e quatro desertos—Great Basin, Mojave, Sonora e Chihuahua—numa road trip de 8000 km. Viajei com o Tiago Silva Nunes, que fez as imagens deste artigo. Ao percorrer aquela paisagem encontrámos vários temas recorrentes: a história da ocupação da América do Norte pelos caminhos de ferro, pelas indústrias extractivas, pelas actividades secretas do exército Americano, pelas ruínas de povoações e cidades ligadas a um sistema económico liberal e implacável. A par dos factos históricos que povoam os lugares por onde passámos, somos assombrados pelo imaginário colectivo em lugares estranhos e familiares que conhecemos da literatura, da música, do cinema, dos noticiários. Na América o espaço real está tão marcado pelo imaginário que hoje testemunhamos, com algum alarme, os sintomas desta fusão perigosa entre ficção e realidade. 

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  Spiral Jetty  (1970) Robert Smithson. Rosen Point, Great Salt Lake, Utah. Photo: Tiago Silva Nunes

Spiral Jetty (1970) Robert Smithson. Rosen Point, Great Salt Lake, Utah. Photo: Tiago Silva Nunes

  Double Negative   (1970) Michael Heizer. Mormon Mesa, Overton, Nevada. Photo: Tiago Silva Nunes

Double Negative  (1970) Michael Heizer. Mormon Mesa, Overton, Nevada. Photo: Tiago Silva Nunes


History becoming Theory: George Kubler and Portuguese Plain

Academic essay, Architecture and Culture Journal

American art historian George Kubler travelled and lived in Portugal between the mid-1950s and the late 1960s to research his book Portuguese Plain Architecture: Between Spices and Diamonds 1521–1706 (1972). The premise of the book was to analyze the architectural production of Portugal during a period of political and economic crisis between 1500 and 1700, a period that Kubler called “between Spices and Diamonds.” This paper suggests that the notions in Portuguese Plain, far from being an objective study of Portuguese architecture of the sixteenth and seventeenth centuries, blended with the social, political, and economic situation of the country at the time of the book’s writing. Kubler was likely also influenced by the apparent remoteness of the land, which might itself have suggested the appropriateness of a poor and austere architecture. Kubler’s notions became a standard trope, and from the 1990s onwards the idea of a national austere architecture has become part of the dominant architectural discourse in Portugal.

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 João Vieira Caldas,  FAUP of Álvaro Siza in construction. 

João Vieira Caldas, FAUP of Álvaro Siza in construction. 


George Kubler Shifting South

Academic essay, RIHA Journal

This essay aims to present the shifting relations between North America and the South - South America and the South of Europe - through the work of the historian George Kubler. At the beginning of his career as a scholar, Kubler was invited by the Department of State to participate in a conference on inter-American relations. Later, with the positioning of the United States in World War II, the transatlantic relationship between the US and Europe became more prominent. Kubler’s research interests followed this change: His research shift from South America to peripheral Southern Europe reflects an availability of funding given his country's geopolitical interests. So far, artists and other scholars have praised Kubler’s vast work regarding the art and architecture of different 'Souths' mainly as a sign of 'nonalignment' and of his attention to the condition of peripheral countries.

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Portuguese Plain Architecture

Academic essay, Revista de História da Arte

 


The paper addresses George Kubler’s Portuguese Plain Architecture [PPA] (1972) and its effect in Portuguese architectural practice.

Kubler’s philosophy of art history implied that closed sequences of objects could be opened by several reasons. Thus, it will be argued that there is an Jeffect upon Portuguese architecture post 1974, that is apparent by the reemergence of some of the form classes treated by Kubler. This was mostly achieved through the popularity of Kubler’s book within architectural practice, scholarship and moreover by the establishment o the term “Plain Architecture” in Portuguese architectural vocabulary.

Plain Architecture of the seventeenth and eighteenth centuries shared some qualitieswith the architecture to be built in post-1970s Portugal, most importantly the effect that could be achieved with low budget buildings that were responding to a situation of crisis, and simultaneously exhaled aristocratic sparsity.

The connection of  Portuguese Plain Architecture with the ideological attributes o early modernism and the political context o the time catalysed the reemergence of a new order of Portuguese Plain that resonates still in contemporary architecture.

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Plain Arts: Portugal and Beyond

Academic essay, Portuguese Studies Review

 

In The Shape of Time (1962), George Kubler characterized the history of objects as a succession of sequences and series traversing time, dormant in some periods, awaken at others. Dormant series could be awaken by certain catalysts causing them to reappear.

His concept of Plain Architecture (1972) was re-appropriated in recent times to become ubiquitous in the discourse of Portuguese architects. This concept was also appropriated by the artist Juan Downey on his artworks referring to the dynamics of economic crisis and artistic practice in 1970s New York.

There has been an emergent interest in art history scholarship about Kubler’s role given the fact that his work relates to 1970s artists like Ad Reinhardt, Robert Smithson and Robert Morris. This essay will expand on this subject, addressing his collaboration with Juan Downey.

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